sexta-feira, 17 de outubro de 2008

adaptação de uma crônica marginal

nova exposição
- uma tal de Florencia Rodriguéz -
e por instinto,
procuro pela sala mais escura do museu
(é que eu não sei o que esperar).

começo pela sala à esquerda,
a primeira obra da direita,
sentido anti-horário.

de repende as paredes escuras
- entendo agora que são pra me ocultar -
e em silêncio, pra não ser percebida,
começo a observar
aqueles seres,
criando seus espaços:
florestas em concreto já rasgado.

medo?
não,
já que os cães não os temem,
as tartarugas também.

só gostaria de entender o por que dos cabelos,
de onde eles vêm
pra onde vão..

um susto:
os olhos deles me encontram
e de repente sou frágil,
- a estranha ali sou eu -
e consigo ouvir eles se questionando:
medo?
o que ela quer?
de onde vem
- e mais importante ainda -
pra onde vai.

uma angústia no peito,
procuro agora tentar me misturar,
mostrar que sou do bem:
- olhem, vou ouvir o silêncio de uma palestrante ali no corredor.

porém uma dor aguda,
filosófica
já me ocupou.
saio de lá menos humana.
passo por um espelho e não ajeito os cabelos,
como de costume.

"o dia vai morrer aberto em mim"

2 comentários:

Cecília Shi disse...

que lindo... eh da florencia msm? descreve bem uma das sensacoes q eu sinto ao adentrar nas salas escuras...

Cecília Shi disse...

So quero dizer q a Bianchola ta de parabens!! =D